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Mouse e teclado: diga adeus a essas velharias

Intel desenvolve tecnologia de computação perceptiva que poderá revolucionar comunicação homem-máquina

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Com as mãos, usuário manipula o sistema solar

Quando se compara a facilidade de uso do PC de hoje com a trabalheira que dava lidar com máquinas de grande porte — como os “mainframes” do passado, em que se operava com cartões perfurados — percebe-se que evoluímos muito. Sentar-se diante da tela de alta resolução de um notebook poderoso é uma experiência que nem se compara à que tínhamos uma ou duas décadas atrás.

De fato, os processadores são cada vez menores, mais rápidos e consomem menos energia. E o PC se reinventa, com laptops mais finos, leves e potentes. Mas a interface parece que parou no tempo: teclado e mouse são coisas do século passado.

Que tal um laptop dotado de sensores de visão, audição, tato, paladar e olfato, que possa interpretar nossos gestos, sons, toques, gostos e cheiros como comandos de operação, de tal modo que nunca mais precisemos de qualquer dispositivo ou periférico para nos comunicar com nossas máquinas?

Muito se pesquisa para facilitar o uso do computador pessoal, e a Intel está investindo pesado em melhorar a interface homem-máquina, desenvolvendo uma tecnologia chamada computação perceptiva (no inglês, perceptual computing). A empresa planeja dotar o computador de sensores e desenvolver software para fazer esse conjunto entender nossos comandos de maneira revolucionária.

— Paladar e olfato ainda são coisa do futuro, pois ainda não existem sensores precisos, suficientemente pequenos e de baixo custo. Mas visão, audição e tato já fazem parte das soluções da Intel em computação perceptiva — disse Anil Nanduri, diretor de produtos e soluções perceptivas da Intel, no evento Research@Intel 2013, realizado em San Francisco em junho. — E estamos captando também, via software, emoção e contexto, enriquecendo ainda mais a capacidade do computador “entender” seu usuário, permitindo ao humano uma experiência computacional natural, intuitiva e imersiva.

Nanduri e sua equipe trabalham com aplicações de computação perceptiva em todos os formatos de computadores, tanto fixos quanto móveis — desktops, laptops, híbridos, tablets e smartphones. E já divisam aplicações nas áreas de realidade aumentada, multimodalidade (mais de um sentido interpretado simultaneamente), assistentes pessoais, inteligência de voz, tradução de idiomas, biometria corporal e vocal, conteúdo 3D, acompanhamento de movimentos oculares, holografia e interface táctil.

— Essa tecnologia começa a afetar nossa vida na hora da senha, quando damos login no computador. Hoje nossas máquinas já podem reconhecer o rosto do usuário, sua impressão digital e sua voz. Não é mais preciso digitar senhas ou, pior, decorá-las — explica.

No início de junho, a Intel anunciou a criação de um fundo de US$ 100 milhões para pesquisa em computação perceptiva, focando na próxima geração de interfaces computacionais com o usuário. O fundo se chama Intel Capital Experiences and Perceptual Computing Fund e o montante será investido ao longo dos próximos dois ou três anos, concentrado em startups e empresas que se proponham a desenvolver software e aplicativos que libertem o usuário da escravidão ao mouse e ao teclado.

Outra iniciativa muito importante da Intel nesse filão foi a promoção de um desafio para desenvolvedores nos EUA, o Perceptual Computing Challenge, com prêmios no total de US$ 1 milhão para as ideias mais criativas de aplicativos usando o Intel Perceptual Computing SDK, um kit de desenvolvimento de software, atualmente na terceira versão, especialmente preparado para criar software de computação perceptiva.

Premiação no Brasil

O desafio estendeu-se a diversos outros países, incluindo o Brasil, em que a premiação é um sensor Senz3D, da Creative, que permite ao computador captar e entender gestos.

— Na primeira fase do Perceptual Challenge Brasil, a Intel distribuiu câmeras Creative para os 30 melhores desenvolvedores que apresentaram as idéias mais inovadoras de apps que utilizem em sua interface recursos como reconhecimento de gestos, rastreamento e identificação de rostos, reconhecimento e síntese de voz, e realidade aumentada — explica Juliano Alves, gerente marketing da área de desenvolvedores de software da Intel. — As ideias que recebemos são realmente incríveis, e podem ser vistas na web neste link. Já na segunda fase, usando a câmera Senz3D, os dez melhores aplicativos desenvolvidos irão receber prêmios exclusivos.

A Senz3D se parece com o Kinect, da Microsoft. Mas só se parece. Na verdade ela representa o pulo do gato, pois em vez de captar movimentos mais distantes, como numa sala de estar, ela reconhece gestos próximos — entre um ou dois metros — favorecendo desenvolvimento de interfaces avançadas em computação pessoal.

A Intel apresentou no Research@Intel 2013 o protótipo de um sensor de movimento ainda menor, que pode ser integrado à moldura de tela de um Ultrabook ou mesmo de um tablet.

— Ainda não tem nome, nem podemos falar nada mais a respeito deste sensor, que ainda está em desenvolvimento — disse Anil Nanduri quando indagado a respeito

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