Lojas fecham e esvaziam as galerias da capital

Redução nas vendas do comércio esvazia corredores de lojas em BH. Comerciante que fica promove ações para atrair o público, mas até ponto tradicional no Centro registra queda

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Leandro Couri/EM/D.A Press

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Na galeria da Rua Tomé de Souza, 810, na Savassi, as placas de “aluga-se” mostram que pelo menos metade dos comerciantes fecharam as portas ou mudaram de ponto. De frente para um corredor de lojas vazias, Violeta Tempone, há 30 anos no endereço, está entre as poucas comerciantes que ficaram. Para atrair os clientes, ela está liquidando o estoque a cifras atrativas, até mesmo para o consumidor mais avesso a gastar. As promoções chegam a cortar 80% do preço da etiqueta em roupas de grife. Segundo ela, os colegas lojistas mudaram em busca de aluguéis mais baratos e muitos estão se ajustando em espaços menores.

Se o comércio de rua está devagar, com a queda das vendas do varejo, nas galerias, onde o fluxo de clientes é menor, quem não mudou de ponto para adequar os custos ao menor volume de vendas, está tentando vencer o paradeiro com estratégias como redução de despesas, liquidações e alguma inovação.

Na rua Pernambuco, 1000, na Galeria Inconfidentes, também na Savassi, os comerciantes que resistem se uniram para movimentar o espaço em tempos de economia fraca. A ideia foi criar uma feira de artes, objetos e artesanato que está ajudando a enfrentar os resultados ruins do setor. Segundo o IBGE no semestre as vendas do varejo caíram 2,2% no país, alcançando o pior semestre desde 2003. A Confederação Nacional do Comércio (CNC), prevê retração no setor de 2,4% em 2015.

A exposição de artes na galeria está aberta toda quinta-feira de 9h às 20 horas. “Foi uma alternativa que encontramos para movimentar o espaço e ao mesmo tempo abrir oportunidades para exposição e venda de produtos”, diz Antônio Maurício Reis, idealizador da feira e dono do Bazar Miragem, onde funciona uma gráfica rápida, venda de vinis e artesanato. Na galeria há lojas fechadas, mas quem ficou aderiu a ideia do comerciante. Há 12 anos no ponto, além da feira de artes, Antônio Maurício também criou a feira do vinil, que acontece no segundo sábado do mês. Vasculhando por raridades, o consumidor acaba conhecendo os produtos da galeria que não são vistos da rua.

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Leandro Couri/EM/D.A Press

Na Ouvidor, no Centro, movimento caiu 20%

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A estratégia usada pelos lojistas da Rua Pernambuco é uma das saídas para o comércio. “Os lojistas das galerias devem optar por ações coletivas, como as promoções, para chamar atenção do consumidor”, aponta Marco Antônio Gaspar, vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-BH). Ele comenta que está havendo uma movimentação de mudança de ponto no comércio, provocado pelo crescimento da oferta de imóveis para alugar e pela necessidade de cortar custos. Segundo ele, as galerias apesar de terem taxa de condomínio, e a desvantagem de não contar com o cliente que passa pela rua, tende a oferecer um aluguel mais barato. “O que pode ser interessante na redução de custos”, diz Gaspar.

No Barro Preto, Ana Maria Santos ocupa uma dos únicos comércios no andar térreo do Shopping Maximiano. Ela chegou na galeria há um mês, atraída pelos custos. Conta que apesar de na rua o lojista ser visto pelos clientes, o preço menor do aluguel, quase 60% mais baixo, a fizeram optar pelo espaço. Michele Dias, gerente da loja Liza, na Galeria Chaves, também no Barro Preto, considera que a estratégia para vencer a queda nas vendas, é uma campanha para fidelizar clientes. “Com essa crise, o cliente que entra na galeria, é porque já conhece o produto.”

Tradição Da crise não escapou quase ninguém. Até na Galeria do Ouvidor, centro comercial que há 50 anos é referência em Belo Horizonte, principalmente em artigos como bijuterias, embalagens, artesanato, também sentiu a desaceleração. O gerente da galeria, Walter Faustino, conta que o movimento de modo geral, caiu perto de 20%, mas há quem aponte percentual maior. Há 21 anos na Ouvidor, Márcio do Vale é dono da loja Prímula, de calçados. Ele diz que as vendas encolheram 40%, mesmo com o fortalecimento da variedade de produtos, liquidações e foco no atendimento. “Estou disposto a passar o ponto, o aluguel e custos aqui são muito altos”, comentou.

Pesquisa da Fundação Ipead em parceira com a Câmara do Mercado Imobiliário (CMI) mostra que desde julho do ano passado os alugueis comerciais estão crescendo menos que a inflação. Em 12 meses a alta dos alugueis é de 6,18% contra uma inflação de 10,12%. Violeta Tempone que há 50 anos é comerciante na Savassi e há 30 na galeria da Rua Tomé de Souza, acredita que as lojas vazias desanimam ainda mais os novos clientes. “Uma escola que funcionava aqui, conseguiu um aluguel 50% menor e mudou-se. Quanto mais vazio, pior para todos, para o dono do imóvel e para quem aluga.”

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Beto Novaes/EM/D.A/Press

Enquanto isso…

…Espaço menor atrai a música

Em busca de cortar custos, a mudança de ponto cresceu em regiões tradicionais do comércio, onde lojistas buscam se adequar a realidade de menor crescimento econômico. Recentemente, a tradicional loja de instrumentos musicais Guitar Shop, que há duas décadas funcionava na Rua Pernambuco na Savassi, decidiu mudar para o Shopping Quinta Avenida. A loja agora funciona no terceiro piso do espaço, e tem metade do tamanho. Com vendas em crescimento pela internet, o proprietário José Mauro Ulhoa (foto) diz que o novo endereço é vizinho do antigo ponto, o que favorece o deslocamento dos clientes. “É uma nova estratégia. Temos os mesmos produtos, mas agora em um espaço menor, com menos funcionários, manutenção e aluguel mais baratos”, comenta o empresário.

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Fonte: Jornal Estado de Minas (em.com.br)

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