O que recrutadores pensam sobre os cursos online

Saiba qual é a opinião de oito headhunters sobre a nova modalidade de aprendizado
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Ainda há ressalvas no mercado de trabalho sobre a qualidade dos cursos online. Em relação à graduação, a recomendação de recrutadores consultados pela Exame é de que seja feita presencialmente. O contato com o ambiente universitário é considerado de grande importância para o desenvolvimento do futuro profissional.

Já os cursos de extensão, pós-graduação e especialização têm melhor reputação na modalidade online. Alguns headhunters acreditam que os resultados atingidos a partir do aprendizado importam mais que a presença física nas aulas.

Em linhas gerais, os contratantes ainda divergem quanto a aceitação. Confira abaixo o que oito especialistas consultados acham da nova modalidade de aprendizado.

Preconceito equivocado

Emmanuele Mourão, headhunter da De Bernt Entschev, acredita que as empresas têm preconceito equivocado com o curso online. De acordo com ela, há pesquisas que indicam que o aproveitamento do aluno na modalidade online é melhor do que o registrado pelos alunos de cursos presenciais. Apesar disso, a opinião da recrutadora, o nome da instituição pesa e muito, seja para cursos rápidos, de extensão, graduação e pós.

Colecionadores de cursos

Para o gerente da Michael Page do Rio de Janeiro, Marcelo Cuellar, muitas pessoas optam pelo curso online para adicionar ao currículo mais especialidades. No entanto, quantidade não significa qualidade. Sendo assim, o especialista acredita ser importante fazer cursos para adicionar conhecimento e não apenas para fazer coleção no CV.

Tendência

A sócia-diretora da Resch Recursos Humanos, Jacqueline Resch, sabe que os cursos online ainda não são tão valorizados pelo mercado devido ao preconceito e resistência ao novo. Mas, para ela, a tendência é que a modalidade seja assimilada pelo mercado, já que a oferta tem aumentado.

“Eu jamais discriminaria um candidato por ter usado a tecnologia para ampliar seus conhecimentos e suas habilidades. Seria um total absurdo na era digital”, afirma Jacqueline. “Caso tenha relevância, deve registrá-lo no currículo. Declarar que o curso é online ajuda a desfazer esta ideia equivocada de que ele tem menos valor que o presencial”, finaliza.

Diferença de preparação

Para Peter Noronha, responsável pelo escritório da Asap no Espírito Santo, é possível perceber a diferença na preparação de um aluno com graduação presencial e outro com formação online. No entanto, ele defende que para algumas funções, principalmente na área financeira e contábil, cursos, que ele classifica como de aplicação, valem a pena na modalidade online. O importante, segundo ele, é escolher um curso online validado por uma instituição que tenha credencial no mercado, e a escolha deve sempre estar atrelada ao plano de carreira.

Sem distinção

O headhunter da Robert Half, Jorge Martins, afirma que não faz distinção se um curso é presencial ou online. Por isso, diferentemente de outros recrutadores, ele não recomenda que os candidatos apontem no currículo quais foram online.

“Não considero pertinente e também sou avesso à análise da instituição pelo nome. Valorizo mais o profissional do que o lugar onde ele se formou”, diz. No fim das contas, diz ele, o mais importante é o quanto se aplica de resultado.

No entanto, em relação às especializações, a visão do especialista é um pouco diferente. Para ele, 70% do conteúdo vem das trocas entre os profissionais. Ou seja, por mais que existam fóruns e salas de bate papo, na modalidade online essa interação é menor.

Era da tecnologia

A recrutadora Sthaell Ramos, sócia-diretora da People on Time consultoria, afirma que a educação online deverá ganhar um peso maior no futuro próximo, já que estamos vivendo na era da tecnologia. O preconceito atual ainda existe devido à falta de conhecimento e de adaptação à mudança. Apesar disso, a headhunter ressalta que o nome da instituição escolhida pesa em qualquer situação, seja online ou presencial.

“Isso não é tudo. O conhecimento, a experiência, projetos dos quais o profissional participou é que vão chamar a atenção do recrutador”, afirma.

Instituições reconhecidas

Assim como a maioria dos recrutadores, para Juliana Alvez, gerente da área de expertise Hays Recursos Humanos, a chave é optar por uma instituição de confiança que chancele o curso, porque a receptividade do mercado está ligado à seleção da instituição. Na opinião dela, escolas mais reconhecidas não se arriscariam a oferecer cursos online que deixassem a desejar na qualidade em relação aos cursos presenciais.

Sobre informar a modalidade do curso no currículo, Juliana acha necessário que o profissional deixe claro se foi presencial ou online. ”Isso é mais pela questão da metodologia, não que seja nenhum demérito”, explica.

Solução para quem mora longe

Joseph Teperman, headhunter e sócio da FLOW Executive Finders, afirma que o ensino a distância é uma “belíssima solução para quem está fora dos grandes centros”. Sua visão é a de que importa mais o que a pessoa aprende do que a forma como ela faz isso, se em casa ou na presença de colegas e professores.

“Em relação a um curso de línguas, por exemplo, não importa se a pessoa estudou em Londres ou em casa, o que vale é que ela saiba falar inglês”, diz, ressaltando que esse raciocínio deveria valer para todos os casos.

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