Brasileira que faz doutorado na Inglaterra ganha bolsa da Google

Larissa Romualdo, de Ribeirão Preto (SP), pesquisa engenharia de software.
Apenas 40 mulheres na Europa, África e Oriente Médio ganharam a bolsa.

Larissa Romualdo Susuki, doutoranda de ciência da computação na University College London e bolsista da Google (Foto: Arquivo pessoal)

Larissa Romualdo Suzuki, doutoranda de ciência
da computação na University College London e
bolsista da Google (Foto: Arquivo pessoal)

A brasileira Larissa dos Santos Romualdo Suzuki precisou de menos de seis anos para fazer a graduação e o mestrado em uma área dominada por homens: a ciência da computação. Aos 24 anos, quando já era doutoranda da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), no campus de Ribeirão Preto, ela foi aceita com bolsa integral na University College London (UCL), uma das mais conhecidas do Reino Unido, em um programa de pós-graduação integrado com a Imperial College London. Hoje, aos 27, ela é uma das 40 mulheres de universidades da Europa, da África e do Oriente Médio a receber da Google uma bolsa de estudos de 7 mil libras (cerca de R$ 22 mil).

Como bolsista da empresa que criou o buscador mais popular da internet, Larissa e as demais bolsistas viajaram até a sede da Google em Zurique, na Suíça, para um encontro de três dias destinado à troca de experiências e à análise dos projetos de cada uma, além de debates sobre a presença das mulheres no ramo da tecnologia.

Larissa conta que sua tese de doutorado gira em torno do desenvolvimento de um sistema orquestrado capaz de integrar outros sistemas, o que seria útil para a administração dos serviços de água, esgoto, energia elétrica e qualidade do ar de uma cidade. “Quero aplicar a engenharia de software de modo a instrumentar cidades, conectar sistemas e fazer as cidades se tornarem um ambiente inteligente para as pessoas viverem”, diz.

Mais espaço para mulheres
Estudantes de qualquer parte do mundo matriculadas nas instituições europeias, africanas e do Oriente Médio podem concorrer à Bolsa de Estudos Google Anita Borg Memorial. A seleção é feita anualmente com base na excelência acadêmica nos ramos da computação e tecnologia e na experiência em postos de liderança.

De acordo com Larissa, o Reino Unido tem visto o aumento de iniciativas não só para atrair mais mulheres ao ramo, mas também para mantê-las ali. “A gente cresce com o estereótipo de que menina não mexe com eletrônica, e menino cresce mexendo com videogame. O que falta é fornecer um ambiente melhor de trabalho para as mulheres. Por exemplo, na Inglaterra existem prêmios para universidades que oferecem um ambiente de trabalho propício.”

Criado em 2007, o programa da Google é feito em parceria com o Instituto Anita Borg para Mulheres e Tecnologia, criado em 1994 por Anita Borg, uma cientista da computação dos Estados Unidos que dedicou sua carreira a aproximar a tecnologia das mulheres, e incentivá-las a trabalhar no ramo. Após a sua morte, em 2003, o instituto passou a levar seu nome e até hoje financia pesquisas de mulheres em áreas como ciência e engenharia da computação, matemática aplicada e bioinformática.

Larissa (a quarta da esquerda para a direita) entre as demais bolsistas selecionadas pela Google, na Suíça (Foto: Arquivo pessoal)
Larissa (a quarta da esquerda para a direita) entre as demais bolsistas selecionadas pela Google, na Suíça (Foto: Arquivo pessoal)

Bolsas recusadas
Atraída por computadores desde pequena, por causa dos irmãos mais velhos que seguiram a mesma área, Larissa concluiu o bacharelado em ciência da computação pelo Centro Univesitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, e, ao conseguir uma bolsa de iniciação científica, descobriu sua vocação de professora.

Mestre em engenharia elétrica pela USP, ela dava aulas na Barão de Mauá e acabara de iniciar seu doutorado na USP quando recebeu a notícia de que havia sido aceita não só pela UCL, mas também pelas universidades de Birmingham e Lancaster, todas com bolsa integral. Além disso, ela recebeu oferta de bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“Escrevi uma carta para as instituições agradecendo pela oferta, mas tive que recusar”, conta ela, que conseguiu ajuda de custo da Barão de Mauá para as passagens de avião e acomodação na chegada ao Reino Unido.

O que falta é fornecer um ambiente melhor de trabalho para as mulheres”
Larissa Romualdo Suzuki,
doutoranda em ciência da computação

As duas bolsas que recebe da UCL cobrem o valor do curso, de 20 mil libras anuais (cerca de R$ 64 mil) e 16 mil libras por ano (aproximadamente R$ 51 mil), incluindo seu salário como pesquisadora e professora assistente.

Mesmo morando fora do Brasil há mais de dois anos, a estudante ainda mantêm o sotaque do interior paulista, mas agora mistura o português com muitas palavras em inglês. Larissa é casada com outro cientista da computação, um brasileiro que também trabalha em Londres, e ainda não decidiu se volta à cidade natal assim que concluir seu doutorado, ou se faz um pós-doutorado no Reino Unido.

“Quero continuar aperfeiçoando meus conhecimentos e fazendo pesquisa para melhorar a sociedade. Quero voltar para o Brasil, sinto muita saudade, é o país a que eu pertenço. Mas não sei se vou fazer pós-doutorado fora, para quando voltar eu tentar uma vaga como professora na livre-docência”, afirma.

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