Apple muda estratégia e para de ignorar inimigos

Acostumada a inovar, companhia começa a ver outras empresas dominando os mercados que criou e, para reagir, passa a copiar o que os outros têm feito

No início do mês, o usuário que perguntasse ao Siri, assistente virtual instalado nas versões mais modernas do iPhone, qual é o melhor smartphone do mundo ouviria uma resposta surpreendente: o Lumia 900, da Nokia. Ao ver o fato virando motivo de chacota nas redes sociais, a Apple atualizou o aplicativo para, em vez de pesquisar a resposta na internet, como faz normalmente, sempre responder a essa pergunta com a frase “este que você está segurando”.

A história é apenas mais um sinal de como é difícil para a Apple admitir que tem concorrentes de peso. Apesar de manter a imagem de inovadora, a companhia presidida por Tim Cook, começa a ter que lidar com rivais sedentos por pioneirismo.

O exemplo mais visível dessa investida da concorrência vem da Coreia do Sul e atende pelo nome de Samsung. A empresa tem lançado, numa velocidade alucinante, tablets e celulares que rivalizam com produtos como o iPhone e o iPad. Outras companhias, como Nokia e RIM, dona do BlackBerry, tentam seguir o mesmo caminho, mas sem sucesso.

Desde que fundou a empresa, no final da década de 1970, até sua morte, em outubro do ano passado, Steve Jobs ajudou a construir a ideia de que Apple era a companhia mais inovadora do mundo e, por isso, praticamente imune à concorrência direta.

“Jobs gostava de investir no conceito de que, mais do que uma fabricante de eletrônicos, a Apple era uma sonhadora”, afirma Marc Gobé, fundador da consultoria americana Emotional Branding, especializada na construção de marcas.

Exemplo de como isso sempre foi levado a sério nos escritórios de Cupertino, cidade norte-americana onde fica a sede da Apple, é o fato dos produtos da empresa terem sido os responsáveis por alterar a dinâmica de diversos mercados, como o dos computadores pessoais e o da indústria fonográfica.

Na década passada, a Apple apresentou duas grandes novidades, o iPhone e o iPad. Os dois produtos foram revolucionários, tanto por aumentar as possibilidades de conexão móvel para o usuário comum, como por dar à Apple mais uma fonte de renda, a venda de aplicativos.

Isso, porém, não foi suficiente para dominar o mercado por muito tempo. “Eles saíram na frente e conquistaram a liderança no primeiro momento, mas a concorrência logo chegou ao mesmo nível e começou uma corrida sem fim para descobrir quem tem o melhor aparelho”, afirma Luciano Crippa, analista da IDC Brasil.

Comenta-se no mercado que os próximos lançamentos da Apple deixarão claro que a evolução das rivais passou a ser motivo de preocupação.

Entre as possíveis novidades, uma versão mais simples do iPad, para que o preço seja mais próximo ao dos concorrentes, e uma tela maior para o iPhone, seguindo uma tendência criada pela Samsung, são dadas como certas. Para Gobé, mesmo que a mudança, de inovadora para seguidora, se confirme, não há motivo para preocupação imediata.

“O nome Apple é tão forte que a companhia vai ter que ser superada por muito tempo antes de ter sua marca afetada.” Procurada, a Apple não se manifestou.

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